Professor do DF viaja para a 4º Copa do Mundo para honrar tradição de família e memória do filho
Professor do DF viaja para a quarta Copa do Mundo Aos 66 anos, o professor da rede pública Deusdede Marques se prepara para embarcar para a quarta Copa do Mund...
Professor do DF viaja para a quarta Copa do Mundo Aos 66 anos, o professor da rede pública Deusdede Marques se prepara para embarcar para a quarta Copa do Mundo consecutiva. ⚽🏆 No dia 10 de julho, ele segue para os Estados Unidos para acompanhar a fase decisiva do torneio. Na bagagem, além da indumentária verde-amarela, carrega a responsabilidade de honrar uma tradição e a memória do filho, morto em um acidente em 2020 (entenda abaixo). Deusdede garantiu ingressos para um confronto das quartas de final, para a disputa de terceiro lugar e para a grande final — falta apenas um bilhete para a semifinal, que ele pretente comprar durante a viagem. A expectativa cresceu ainda mais após a classificação do Brasil para o "mata-mata". Para Deusdede, a seleção chega forte à fase eliminatória. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. "A seleção está evoluindo. O futebol está muito igual em todos os continentes. Eu acho que o Brasil vai entrar bem no mata-mata porque a equipe está bem. Acredito que vai chegar à final e trazer o hexa", disse ao g1. Morador do Distrito Federal desde 1972, o professor acompanhou uma partida da Copa pela primeira vez em 2014, quando o Mundial aconteceu no Brasil. O jogo foi em Brasília, no Mané Garrincha. "Era um evento que eu só via pela televisão. Ver ao vivo foi emocionante, sensacional." A experiência foi suficiente para criar uma tradição. Depois vieram a Rússia, em 2018, e o Catar, em 2022. "Depois eu não quis parar. Assumi que iria acompanhar as Copas", contou. Deusdede e o filho Rodrigo em estádio no Qatar, em 2022. Arquivo pessoal Agora, ele desbrava o mundo para ver o Brasil jogar. Cadeirante, ele sempre viaja acompanhado dos filhos. "A gente precisa ter uma rede de apoio, a família junto. Vale a pena acreditar no esporte. O esporte é uma forma de saúde, alegria e satisfação." Tradição e saudade Mineiro de nascimento e brasiliense de coração, Deusdede conta que a paixão pelo futebol começou ainda na infância. "Desde pequeno eu gostava de futebol. Toda a vida eu gostei. Colecionava álbum, assistia aos jogos pela televisão", afirmou. Casado há 43 anos com Vicentina, ele é pai de três filhos e avô de sete netos. Em 2020, a família viveu uma perda que marcou a trajetória do professor. O filho mais velho, Thiago, morreu aos 36 anos em um acidente na Cachoeira do Tororó, no DF Deusdede e o filho mais velho, Thiago, na Copa do Mundo de 2014. Arquivo Pessoal O primogênito era também o companheiro de arquibancada do pai. Desde então, a vontade de seguir viajando para as Copas ganhou um significado ainda mais especial. "Depois da perda do meu filho, essa vontade aumentou ainda mais. Ficou mais concreto esse desejo de acompanhar os jogos até quando der. Além do futebol, existe essa questão afetiva, essa questão de estar presente representando", diz. Agora, na viagem aos Estados Unidos, Deusdede será acompanhado pelos outros dois filhos, Rodrigo e Felipe. Projeto dos 100 anos Deusdede tem uma meta: continuar acompanhando as Copas do Mundo até 2058. "Meu projeto de vida é de 100 anos, que eu completo em 2059. Então quero ir até a Copa de 2058", projeta. Deusdete e o filho Felipe na Russia, em 2018. Arquivo Pessoal Enquanto isso, ainda resta um outro sonho de torcedor para realizar. O flamenguista já levou a bandeira do time para a Rússia (veja a foto acima), mas ainda falta acompanhar o clube no Maracanã. Quem sabe, ainda este ano? 🔴⚫ "O hexa vai vir. Se não agora em 2026, vem em 2030 e eu vou acompanhar. Mas o ver o Flamengo no Maracanã é o maior sonho de torcedor de futebol", revelou. Acessibilidade pelo mundo Usuário de cadeira de rodas, Deusdede afirma que nunca deixou de viajar por causa da deficiência. Para garantir os ingressos, ele participa do mesmo sistema de sorteio organizado pela Fifa para os demais torcedores. Deusdede e o filho Rodrigo em estádio na Rússia, em 2018. Arquivo Pessoal Ao longo das viagens, acumulou histórias curiosas. Uma das mais marcantes aconteceu durante a Copa da Rússia. Em um deslocamento entre as cidades de Kazan e São Petersburgo, ele e o filho chegaram ao aeroporto pouco antes do embarque. Por causa dos procedimentos necessários para passageiros que utilizam cadeira de rodas, Deusdede não conseguiu embarcar no voo. O filho seguiu viagem e o professor precisou permanecer sozinho no aeroporto. "Eu não conhecia ninguém e não falava russo. Foi marcante. Mas as pessoas me acolheram muito bem e me deram toda a atenção", conta. Professor do DF viaja para a quarta Copa do Mundo TV Globo Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.